Ocupamos a quarta posição mundial no que diz respeito a rebanho equino, com 5,8 milhões de animais. Desses, 800 mil estão nas mãos dos selecionadores, que disseminam a qualidade genética para os outros cinco milhões espalhados por fazendas e sítios. Os dados são da Comissão Nacional de Equinocultura da CNA.
Na fatia menor, estão os exportadores e importadores. De acordo com a base de dados do Mapa, a Agrostat, em 2011 (até setembro) já foram exportados 2.960 mil cavalos, somando um valor de US$ 2.504,592 mi. Em comparação com o ano passado, o comércio internacional desse setor teve um salto. Foram vendidos apenas 281 animais, resultando em US$ 1.774,134 mi. Lembrando que esses valores são gerais, não apenas de raças brasileiras.
Sobre a exportação, o presidente da Comissão Nacional de Equinocultura da CNA, Pio Guerra Júnior, explica que é uma coisa que não se consolida rapidamente, principalmente no que diz respeito às raças brasileiras que ainda não têm um reconhecimento internacional efetivo. “Cada associação precisa fazer um trabalho de divulgação, de promoção e intercâmbio com outros países para poder fazer crescer o interesse pelos nossos cavalos. Eu, sinceramente, acredito que pela quantidade do rebanho, pela qualidade, principalmente, e pelo caráter diferencial de andamento, podemos crescer esses números”, aposta.
Campolina
A Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Campolina (ABCCC), com 16 mil animais registrados, tem investido na divulgação da raça. Em março deste ano foi apresentado um vídeo durante a Equitana, na Alemanha, uma das maiores feiras mundiais do setor.
Países como Venezuela, Estados Unidos, Alemanha e, agora, México, já importaram a raça. O exportador para o México foi o criador baiano Paulo Rocha, a pedido de um amigo criador que estava morando no país, cujo povo aprecia cavalo grande e marchador. “Fiz todo o trâmite dos nove animais. Consegui uma empresa, levamos de avião e já estão lá desde março”, explica. Proprietário do Haras Luanda, e na atividade há oito anos, Rocha afirma que a exportação não é um processo barato e ágil. “Custa na faixa de R$ 8 mil por animal. Não é muito rápido. Para o México foi mais fácil porque as barreiras sanitárias são menores”, detalha.
A prova da boa aceitação lá fora é o fato de que os importadores vieram pessoalmente conhecer os rebanhos baianos durante esta Fenagro, feira que está acontecendo em Salvador (BA) até o dia 04 de dezembro.
Mangalarga
De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga (ABCCRM), já foram exportados cavalos para a Áustria, Alemanha, Espanha, Holanda e Estados Unidos (Colorado e Texas). São mantidos, inclusive, técnicos nessas regiões. Flávio Emílio Nogueira Junqueira é um deles. Diretor técnico do departamento de equinos em uma empresa de nutrição animal, ele passa dois meses na Espanha a cada semestre.
Sobre o futuro da raça por lá, é categórico: “Ressalto que existe um mundo de possibilidades para o Mangalarga na Europa e que deve ser desenvolvido com base, projetos possíveis, realistas e profissionalismo”.
Ainda segundo ele, existe um criador na Áustria, Erhard Klammerth, que possui cinco animais legítimos. Na Alemanha há uns 40 cavalos espalhados. “Mas não os considero criadores, são apenas proprietários”, destaca.
De Sorocaba (SP), Jamir Alves de Oliveira já enviou animais para os Estados Unidos. Em 1999 doou sêmen do seu garanhão pampa, Jobson do Jaó, para um criador norte-americano. Tornaram-se amigos e o brasileiro acabou vendendo um garanhão do seu Haras do Jaó, em 2005. “Nós colocamos na mídia... primeiro pampa que foi para lá. Acabamos vendendo mais cinco animais. Mas já faz três anos que ninguém compra nada. Depois que teve aquela crise da construção [refere-se à crise no mercado imobiliário de 2007], parou tudo”
E se lá parou, o criador garante que por aqui as vendas vão muito bem.
Fonte: Jornal AgroValor